Cultivo da Alfafa
Trabalho produzido pela Embrapa Pecuária Sudeste
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Adubação

Adubação Fosfatada, Adubação Potássica, Micronutrientes, Adubação em cobertura

A decisão de formar uma área cultivada com alfafa deve ser acompanhada, inicialmente, de análise criteriosa sobre o investimento proposto. Indica-se alfafa apenas para animais de alto índice zootécnico para a produção de carne e/ou leite, bem como para cavalos de corrida e de montaria em hipódromos, uma vez que o potencial de produção de animais com menor índice zootécnico pode ser alcançado com alimentos menos dispendiosos, como silagens de milho e capins, fenos e cana-de-açúcar.

Outro critério importante a ser considerado na exploração da alfafa está no tamanho da área de cultivo. É uma espécie vegetal com alto potencial de rendimento de forragem por área, podendo chegar a 25 a 30 t de matéria seca/ha/ano. Entretanto, por se tratar de cultura exigente, esses altos níveis de produção requerem grandes investimentos de formação e manutenção (sementes certificadas, herbicidas, calagem, adubações corretiva e de manutenção, irrigação, etc.). Com isso, independentemente das condições financeiras do produtor, o ideal para a alfafa é buscar altos rendimentos por área, e não por meio de maior área plantada. A área escolhida deve apresentar facilidades para irrigação, uma vez que mesmo sendo considerada bastante tolerante a déficit hídrico (secas), sem aplicação de água de maneira complementar (irrigação) a alfafa diminui sensivelmente seu potencial de produção de forragem no período seco.

Adubação Fosfatada

Para o nível de produção de 20 t/ha/ano de matéria seca de alfafa, a planta remove cerca de 106 kg/ha de P205. Por ser um dos três nutrientes primários, com o nitrogênio e o potássio, o fósforo, além de ser essencial para o crescimento da alfafa, é necessário para que a planta complete seu ciclo normal de produção. Atua na fotossíntese, na respiração, no armazenamento e na transferência de energia, e no processo de divisão e crescimento das células, promovendo também a formação e o crescimento prematuro das raízes. Além disso, melhora a eficiência da planta no uso da água, favorece a resistência às doenças e aumenta seu teor na forragem, elevando seu valor nutritivo.

Sua recomendação para solos areno-argilosos da região Sul do Brasil, pode ser baseada em valores de fósforo extraível pelo método de Mehlich. Sua aplicação no primeiro ano deve ser feita antes da semeadura, a lanço, durante o preparo de solo, e anualmente sua reposição é feita no início da primavera.

Para a região Sudeste, a adubação fosfatada de formação e cobertura para a cultura da alfafa deve se basear nas recomendações da Tabela 2.

Adubação Potássica

Para a produção de 20 t/ha/ano de matéria seca de alfafa, estima-se a remoção do solo de 500 kg/ha de K2O. Normalmente, as plantas contém as mesmas quantidades de potássio e nitrogênio, que são superiores às do fósforo. Na alfafa, porém, o teor de potássio excede o de nitrogênio, sendo dessa maneira o elemento primário mais requerido. Trata-se de um nutriente essencial para o crescimento da planta. Ligado ao metabolismo vegetal, o potássio é vital no processo fotossintético. Quando é deficiente, a fotossíntese diminui e a respiração aumenta, condições que reduzem o suprimento de carboidratos para as plantas. Para a alfafa, deve-se repor anualmente o potássio utilizado no estabelecimento da cultura, em razão da exigência da planta em seus sucessivos cortes.

As doses de potássio indicadas para a alfafa na região Sul do Brasil podem ser baseadas em seus níveis no solo. ( Tabela 1) Observa-se que 80 ppm correspondem ao nível crítico do nutriente no solo, abaixo do qual pode haver limitação ao desenvolvimento da planta. A adubação potássica deve ser parcelada em pelo menos duas aplicações no primeiro ano, sendo um terço por ocasião do preparo do solo e dois terços, 60 dias após o plantio. Para a reposição, aplicar um terço no outono e dois terços na primavera, juntamente com aplicação do fósforo. Em solos com menos de 25% de argila, parcelar a adubação com potássio em três vezes, a cada 90 dias.

Para a região Sudeste, as doses de potássio para formação e manutenção da cultura da alfafa são apresentadas na Tabela 2.


Tabela 2. Recomendação de adubação fosfatada e potássica para formação e manutenção (cobertura) da cultura da alfafa, na região Sudeste do Brasil.
Formação 
N (kg/ha)

(plantio)
P no Solo (mg/dm3)

0-6 7-15 15-40>40

 
K no Solo (mmolc/dm3)

0-0,7 0,8-1,5 1,6-3,0>3,0

 

S
 
P2O5 (kg/ha)
 
K2O (kg/ha)
 
S (kg/ha)
0
150
130
100
50
 
160
130
100
60
 
50
Manutenção 
N (kg/ha)

(plantio)
P no Solo (mg/dm3)

0-6 7-15 15-40>40

 
K no Solo (mmolc/dm3)

0-1,5 1,5-3,0 >3,0

   

S
 
P2O5 (kg/ha/ano)
 
K2O (kg/t) MSa
 
S (kg/t)  MSa
0
100
100
80
40
 
35
30
15
 4
a MS = Mátéria seca colhida. Para pastejo ou matéria original, considerar MS = matéria fresca x 0,20. Para feno, considerar MS = feno x 0,85.
Adaptado do Boletim Técnico 100 do IAC (1996).

Para doses altas de potássio na formação, não aplicar mais de 60 kg/ha de K2O no sulco de plantio. Se a dose exceder esse valor, aplicar o restante em cobertura, cerca de 30 a 40 dias após a emergência das plantas. Observa-se também pela Tabela 2 que, para a região Sudeste, recomenda-se a aplicação de enxofre (S).

A partir de 1996, foram introduzidas algumas unidades de medida nos resultados de análise do solo, o que pode causar dificuldades na interpretação de análise de fósforo e potássio, como, por exemplo, os da Tabela 1. Todavia, quando a análise fornecer resultados de P em mg/dm3 (unidade nova) e de K em mmolc/dm3 (unidade nova), deve-se utilizar um fator de conversão para se obter o valor em ppm. No caso do fósforo (P), esse fator é 1, ou seja, o valor em mg/dm3 é o mesmo em ppm. Já, para o potássio (K), o fator é 40, havendo necessidade de multiplicar o valor em mmolc/dm3 por 40, a fim de transformá-lo para ppm.

Micronutrientes

Os micronutrientes têm a mesma importância para a nutrição das plantas quanto os macronutrientes, embora não sejam necessários em grandes quantidades. No caso da alfafa, com o aumento do pH do solo, alguns micronutrientes podem ter sua disponibilidade diminuída, podendo não suprir a demanda para altas produções.

Entretanto, com a aplicação de adubação orgânica no estabelecimento do alfafal, esses elementos podem ser disponibilizados à cultura, uma vez que esse corretivo natural da fertilidade dos solos também é uma fonte de micronutrientes. No caso do boro, que é um dos mais requeridos pela alfafa, a aplicação de 20 kg/ha/ano de bórax aplicado a lanço e durante o preparo do solo é considerada suficiente para altas produções.

Adubação em cobertura

A perda de vigor dos alfafais, originando o desenvolvimento agressivo de plantas daninhas, é muitas vezes causada por deficiência de potássio. Plantas normais de alfafa apresentam mínimo de 12 g/kg de potássio na matéria seca, verificando-se níveis de até 20 g/kg em culturas mais produtivas e de grande 
longevidade. Todavia, o nível crítico de potássio em alfafa varia de acordo com efeitos sazonais, estádio de crescimento da planta, órgão amostrado e níveis de adubação, entre outros.
As doses de potássio em cobertura para alfafa estão apresentadas nas Tabelas 1 e 2 para as regiões Sul e Sudeste do Brasil, respectivamente. Ainda, na região Sudeste, altos rendimentos com a forrageira foram obtidos com 100 kg/ha de K2O a lanço, após cada corte ou pastejo.
 

 
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