Cultivo da Alfafa
Trabalho produzido pela Embrapa Pecuária Sudeste

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Controle de Plantas daninhas
O controle das plantas daninhas deve ser iniciado no momento do preparo do solo. O solo bem preparado, com sucessivas gradagens após germinação dessas invasoras, facilitará o controle posterior, que certamente ainda terá população ressurgida. O uso de herbicidas durante o preparo do solo é uma prática recomendável. Porém, a aquisição de sementes não certificadas poderá infectar o alfafal com espécies de plantas daninhas de difícil controle.

A cuscuta (Cuscuta spp.) é uma dessas espécies. É um cipozinho amarelo esbranquiçado, que desenvolve pequenas saliências globulares que se prendem firmemente ao caule da alfafa. Dessas saliências são emitidos filamentos que penetram no tecido da planta e passam a parasitá-la por meio de sugamento até sua morte.

A propagação dessa planta daninha é feita por fragmentos, tubérculos e sementes, podendo aniquilar um alfafal em pouco tempo. O único controle viável dessa planta daninha em alfafa é o uso de sementes certificadas sem cuscuta. Caso haja infestação por maquinários contaminados, o controle deve ser no início e no local de ocorrência, a fim de evitar sua disseminação.

Em condições da região Sudeste, a variação de rendimento de matéria seca da alfafa, em razão de interferência da comunidade infestante, pode ser observada na Tabela 4.

Tabela 4. Produtividade média da alfafa cv. Crioula e interferência de plantas daninhas. 
Época do ano

Rendimento (MS/ha) por época

Diferença percentual

Com capina

Sem capina

Inverno

3,2 (20)

2,8 (28)

12,5%

Primavera

6,3 (45)

4,6 (45)

27,0%

Verão

4,1 (26)

1,8 (18)

56,1%

Outono

2,0 (14)

0,9 ( 9)

45,0%

Adaptado de Rassini e Freitas (1995).

Nota-se que a competição imposta pelas plantas daninhas em alfafa é mais acentuada a partir da primavera e durante o verão, chegando ao redor de 60% de redução de matéria seca. Por outro lado, a partir do outono e no inverno, verifica-se que há menor interferência de uma comunidade infestante, que em São Carlos, SP, é formada principalmente por capim-braquiária (Brachiaria decumbens), picão-branco (Galinsoga parviflora), capim-pé-de-galinha (Eleusine indica), caruru-de-espinho (Amaranthus spinosus), grama-seda (Cynodon dactylon) e trapoeraba (Commelinia benghalensis).

Na Tabela 5, encontram-se listados alguns herbicidas mais utilizados no controle químico de plantas daninhas em alfafa.

Tabela 5. Principais herbicidas utilizados no controle químico de ervas daninhas em alfafa.   
Ingrediente ativo Principais marcas comerciais

Doses (litros/ha)

Aplicação

EPTC Eptan, Erradicane

5,0

PPI1
trifluralin Trifluralina Nortox, Novolate

4,0

PRÉ2/PÓS3

metribuzin Lexone, Sencor

0,7

PÓS
atrazine Diversas

4,0

PÓS
bentazon Basagran

1,0

PÓS
paraquat Gramoxone

1,5

PÓS
glyphosate Round-up

1,5

PÓS
1 PPI (pré-plantio incorporado): herbicidas aplicados durante o preparo do solo e necessitam ser incorporados, antes da semeadura da alfafa. Controle de gramíneas, picão-branco e caruru (EPTC).
2 PRÉ (pré-emergente): herbicidas aplicados durante a semeadura, antes da emergência da alfafa e das plantas daninhas. O trifluralin não deve ser incorporado, apresentando espectro de controle igual ao do EPTC.
3 PÓS (pós-emergente): herbicidas aplicados após a emergência da alfafa e das plantas daninhas. O trifluralin e o metribuzin devem ser aplicados logo após o corte ou o pastejo, e em mistura (trifluralin + metribuzin) aumenta-se o espectro de controle. As folhas largas podem ser controladas após a emergência, com bentazon quando a alfafa estiver com altura de 15 cm. Já os tratamentos emergenciais, de grande espectro de controle (paraquat, glyphosate) devem ser realizados imediatamente após o corte ou o pastejo do alfafal.


Em qualquer modalidade de aplicação, o controle químico de plantas daninhas em alfafa deve ser orientado por técnicos especializados (engenheiro agrônomo).

 

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